dos beijos, muitos.

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gosto de dar beijos. muitos.
porque tudo num beijo tem algo de mistério. começa na vontade de beijar, que vem não se sabe onde, lá dentro de nós. aquela atracção por um pedaço de ombro, por um pescoço destapado, ou por uma mão parada na nossa. um olho que nos fita, ou apenas uns lábios semi-cerrados. aquele arrepio de sentir a pele no nosso lábio, a mexer-se ainda mais lento que o vento na rua. sim, porque os beijos falam, dizem coisas: a rapidez com que os damos, o toque, a química, o tempo - quase cinema - quando paramos dois segundos num beijo na maçã do rosto. diz: ternura pura.

gosto de inventar beijos. todos os dias.
o mais bonito da arte de beijar é que podemos criar mil formas de os entregar. beija-se quando se escreve um texto para alguém, beija-se quando no meio do dia nos preocupamos em saber do outro, só porque sim. beija-se quando se escolhe aquela música, que sabemos vai acertar em cheio. beija-se quando se planeia de véspera um jantar a dois, para deixar o desejo respirar o dia inteiro. beija-se quando se fotografa o outro num momento inesperado, num sorriso desprevenido. há beijos que são isso, gestos que nos fazem sentir queridos, mimados, cuidados.

gosto de falar com beijos. com o corpo junto.
falar sem voz, só com o beijo, é das formas mais bonitas de intimidade. a forma como beijas a pele diz ao que vais: safado ou ternura. abraço, ou languidão. a duração, a forma como pressionas a outra pele, ou a outra boca. quando mordes, quando trincas, quando jingas e danças no beijo. é mais que prazer, amor. um beijo, bem dado, intensifica tudo. uma noite de amor, o momento de explosão, ou apenas o que vem depois, naquele momento de recuperar a respiração num abraço longo, em que dizes boa noite, com um beijo quase silêncio, no corpo bem junto.


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